Planejamento

Data publicação 12/12/2016

 

Por Márcia Couto

 

PLANEJAMENTO

 

Planejamento, controle de custos e a análise do mercado são ferramentas indispensáveis para o sucesso do produtor rural na sua atividade

 

Ponto de vista pessoal → Muitos produtores rurais são entusiastas, ávidos por conhecimento, frequentam diversos encontros técnicos, tem a mente aberta e são corajosos para adotar novas tecnologias. Porém até estes, frequentemente, cometem um erro que os levam a se sentir frustrados, eles esquecem de definir onde querem chegar, desperdiçam recursos e energias na direção errada, porém fazendo o que acham mais certo. Balizam suas atitudes e ações conforme vão surgindo às necessidades, gastam 100% do seu tempo na solução dos problemas do hoje, não tendo tempo para planejar o futuro.

            Todo empresário rural deve definir primeiro onde ele quer chegar e como fazer para alcançar seus objetivos. Por isso o planejamento das atividades é a pedra fundamental para nortear as ações do produtor. Planejamento não é só pensar o que vai se fazer amanhã ou nos próximos meses, ele engloba desde os objetivos a serem alcançados, como fazer para alcança-los, quanto de recursos financeiros será utilizado, quanto de recursos deverá ser obtido, como vai fazer para obtê-lo, que ferramentas de controle vai utilizar para medir se tudo está andando como o planejado e como implementar as alteraçõesnecessárias afim de atingir os objetivos almejados.

            Hoje o produtor está mais preocupado em acompanhar os indicadores de produtividade, em incorporar novas tecnologias do que em realizar um acompanhamento de rentabilidade, até porque geralmente seu dia a dia é mais ligado aos aspectos da produção. Isso faz com que grande parte dos empresários rurais acabe controlando apenas o fluxo de caixa, na sua forma básica, o extrato da sua conta corrente no banco, efetuando corriqueiramente operações “mata-mata”, isto é, vai vendendo seu produto conforme sua necessidade bancária. Neste caso, muitas vezes ocorre o empobrecimento do produtor, que gradualmente, vai perdendo a capacidade de investir, sucateando seus bens de produção, sem ter como descobrir as causas do seu lento fracasso na atividade.

            Entre os que controlam os dados financeiros, índices e os investimentos, é comum os que acabam não sabendo tomar decisões a partir dos dados, especialmente pelo fato de não estarem preparados para elaborar e avaliar um relatório financeiro. De nada adianta coletar os dados se não serão tomadas decisões a partir dos mesmos, como dizem: “O papel aceita tudo”.

            As finanças devem ser vistas como o alimento da empresa. Elas devem ser aplicadas nos lugares onde a empresa quer crescer, não podem ser desperdiçadas em atividades onde o “achismo”, e não o planejamento, é a mola precursora da atividade. Se as finanças forem usadas apenas como um instrumento de controle, a empresa nunca poderá florescer.

            O controle financeiro da empresa rural, portanto, não deve ser usado apenas como relato histórico da saúde financeira, deve ser essencialmente aplicado nas tomadas de decisão, porém, a complexidade dos cálculos recomenda forte interação entre o técnico que está determinado os custos com o produtor, na busca de uma interpretação dos resultados que mais se aproxima da realidade. Sem este cuidado, é bem provável que o técnico encontre um elevado custo de produção, enquanto para o produtor a atividade vai muito bem, ou vice e versa.

            O produtor que não procurar seguir um planejamento das suas atividades, não controlar os custos e não tomar decisões fundamentadas nos dados levantados, provavelmente não sobreviverá na atividade.Mas como definir os objetivos da empresa? Qual o fator mais importante para a tomada de decisão? A resposta é muito simples: o mercado.

            De que adianta um excelente planejamento e um eficiente controle financeiro se não soubermos para onde encaminharmos nossos esforços. O produtor tem que aprender a produzir o que ele será competitivo para comercializar, às vezes até diminuindo a sua produtividade, porém, diminuindo também os seus custos. Deve saber manejar os estoques, principalmente porque tanto o consumo, quanto os preços dos produtos são influenciados pelas épocas de safra, entressafra e pelo clima, tem que ficar atento ao que acontece no mundo. Há poucos anos atrás o produtor competia com seu vizinho, agora compete com outros países.

            Claro que tudo isso requer conhecimento técnico, dedicação e habilidade em administrar. Poucas pessoas conseguem fazer tudo isso, por mais que acreditem que conseguem, surge aí a necessidade do produtor de assessoraria de profissionais que possam participar de uma ou mais etapas produtivas da sua atividade. Ele tem que descobrir onde está sua dificuldade, o que ele ainda não consegue fazer, ou até mesmo deixar que profissionais preparados para isso apontem suas necessidades.

Nos últimos anos o trabalho para um gerenciamento da empresa rural triplicou silenciosamente, tanto em quantidade quanto em qualidade e o produtor continuou sozinho ou com mesmo número de pessoas participantes da administração da empresa.

            Hoje tanto a parte administrativa, quanto a parte da força bruta (capatazes, peões, etc), tem que haver uma integração. O mundo da pecuária está crescendo em relação à tecnologia, conhecimento e profissionalismo. E todos têm que estar preparados e capacitados.

            Independente do tamanho da propriedade rural, o que deve ser feito à primeira vista é organizar.Dividir grandes pastos em piquetes de um alqueire ou um alqueire e meio, separar todo o gado, vacas solteiras, vacas com bezerros, desmama, bois e garrotes, separar por cor, ou seja, gado cruzado. Verificar cochos, se estão sempre com sal, verificar se tem água disponível, cerca em bom estado. Fazer corredores para facilitar o manejo, ter um curral prático e funcional.

            Fazer anotações de mortes, nascimentos e desmama. Ter sempre disponíveis remédios como: antibióticos, cálcio, vitaminas, remédios para dor, analgésicos e material para pequenas cirurgias. Tendo tudo organizado, funcionando e pessoas capacitadas, certamente os prejuízos serão mínimos.

            Fazendas com ótimas infraestruturas dão exemplos de administração bem-sucedidas.Resultados esperados de um bom gerenciamento são índices de lucratividade que garantem retornos adequados a curto prazo e sustentabilidade do negócio a longo prazo.O nível de utilização de instrumentos administrativos nas empresas rurais é muito baixo. De modo geral, os produtores rurais buscam prioritariamente ampliar seus conhecimentos. Para quem conhece de perto o trabalho e esforço de um criador, é fácil compreender esta preferência.

            Por outro lado, a administração rural é muitas vezes apresentada como uma solução imediata e seus instrumentos implementados sem qualquer adequação à realidade de uma fazenda.

 

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